Quanto cobrar por um BPO Financeiro
A conta que decide se o cliente dá lucro — e por que a maioria descobre tarde.
Por BPOx · · 2 min de leitura
Quase todo contador que começa um BPO precifica por comparação: olha o que o colega cobra, tira uns 10% e fecha. Funciona por um tempo. O problema aparece dois anos depois, quando aquele cliente que entrou por R$ 900 já consome três vezes mais horas do que consumia no primeiro mês — e ninguém refez a conta.
A conta tem três números, não um
Preço de BPO não é uma tabela, é uma subtração:
margem = honorário − (horas do mês × custo/hora de quem atende)
Os três números precisam existir. O honorário você já tem. Os outros dois quase ninguém tem — e é aí que o prejuízo se esconde.
Custo/hora: o número que falta
Custo/hora não é o salário dividido por 220. É o custo total da pessoa — salário, encargos, provisões, o que ela custa parada — dividido pelas horas que ela realmente entrega. Um analista de R$ 3.000 de salário raramente custa menos de R$ 40 por hora útil.
Sem esse número, não existe margem: existe faturamento. E faturamento não paga folha.
Um exemplo, número a número
Uma marcenaria pequena, honorário de R$ 890 por mês. Parece bom para o tamanho do cliente. Atendida por uma analista com custo/hora de R$ 44, e o mês fechou em 26 horas de trabalho:
- Custo real: 26 × R$ 44 = R$ 1.144
- Honorário: R$ 890
- Resultado: prejuízo de R$ 254 no mês
Esse cliente foi precificado certo há dois anos, quando consumia 12 horas. Ninguém errou na largada — o cliente cresceu, a rotina engordou, e o preço ficou parado. É o caso mais comum que existe, e ele só aparece para quem mede horas.
Por que a hora precisa ser apontada
A objeção é sempre a mesma: "minha equipe não vai apontar hora". Vai, se apontar for um clique dentro da tarefa que ela já está fazendo — e não uma planilha separada no fim do dia.
O que muda quando a hora existe: você para de discutir preço no escuro. Chega na renovação com "este cliente consome 26 horas do meu time" em vez de "acho que está barato". É outra conversa.
O que fazer com o número
Com margem por cliente na tela, três decisões deixam de ser achismo: quem reprecificar (margem baixa e horas subindo), quem recusar (o perfil que sempre dá prejuízo) e quem replicar (o cliente que dá 45% e você nem sabia).
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